Dentro de uma polêmica que debate a realidade “mais provável”, daquilo
que pode ser mensurado, ou (no mínimo) tangível pela lógica pura, encontra-se
enorme quantia de conceitos dúbios, incertos por si mesmos ou alienados a teses
contraditórias. É interessante notar que a natureza “criada” é a mesma que cria
e que ordena a tudo que existe – Natureza é Dádiva e Ordem.
Dádiva é o princípio motor da origem e do sustento universal.
Ordem é o princípio estrutural de tudo que existe em Universo.
Ambas se impõem de modo incontrolável a qualquer ser universal, este que
pode tão somente “transformar” algo conforme vontade própria, eis que também
está contido em natureza.
Ao Homem, a questão da matéria em determinado espaço por determinado
tempo, como incluso neste reduto muito classificado como ilusório (que parece
mas não é), apresenta-se um verdadeiro dilema: o tempo existe ou não? A
resposta é não e sim.
– o não vem do que “é real”, naquilo que está imóvel em si mesmo,
a dádiva.
– o sim vai para aquilo que “está realizado”, aquilo que se moveu
ou foi movido, na ordem.
Ao indivíduo humano, a necessidade de uma referência móvel em proporção
à magnitude geométrica e à amplitude cronométrica, eis que tudo que acontece
(no presente) estará realizado em memória (no passado), disto implica e
implicará o seu raciocínio e comportamento, do reconhecimento ao objeto à
decisão ao ato. De modo simplista, não há como conceber um mundo totalmente
imóvel, então, cria-se a referência por instrumentos analógicos de medição: do
espaço para magnitude (da ocupação) e do tempo para amplitude (da duração).
A flecha do tempo em si é a ideia que o mundo existe em passado,
presente e futuro, donde a flecha é momento atual culminando rumo ao futuro,
deixando para trás o lastro passado. Nesta oração, observa-se um universo
criado antes do presente e morto em seguida, recriado a cada impulso de tempo.
A utopia estaria justamente no tempo deste impulso, pois, é praticamente
infinita a probabilidade de divisões, como dividir um milésimo de segundo por
um trilhão, e assim afora.
Estes fatos ridicularizam o dizer que viajar mais rápido que a luz
possibilita a viagem no tempo: primeiro que não há outro lugar para o universo
imóvel; segundo que o universo é concebido pelo testemunho do Ente; terceiro
que a velocidade da luz não é uma grandeza e não há velocidade negativa, pois
ao tempo podemos proporcionar qualquer medida.
O sentido da existência: é a presença do Ente em testemunho e ato, ao
Homem, o testemunho e ato conscientes, disto provêm a evolução em plano
horizontal e ascensão em plano vertical.
Assim, a verdade clareia um mundo sem ilusão, cuja essência eleva à
providência.
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